Nos dias de hoje é comum o uso do termo “Didática” para definir se um determinado professor é um bom transmissor dos conhecimentos de sua disciplina. Ouve-se muito falar em “esse professor tem didática” ou “o professor não tem didática, ninguém aprende”, mas, na verdade, qual seria a real abrangência do termo “Didática”?
O termo didática originou-se de uma expressão grega que pode ser traduzida como arte ou técnica de ensinar. O termo generalizou-se no mundo ocidental moderno a partir da obra do pastor luterano J.A. Comenius com seu livro, Didactica Magna: a arte de ensinar tudo a todos, de 1630. Considerado por muitos o pai da didática moderna, foi o primeiro educador do ocidente a se interessar pela relação ensino-aprendizagem, percebendo que existem diferenças entre o ensinar e o aprender.
No Brasil, a tradição dos estudos em educação do termo didática, corresponde a uma região intermediária entre, Sociologia da Educação, Historia da Educação, Filosofia da Educação e Psicologia da Educação. Nessa linha psico-filosófica entende-se que professor e o aluno são os protagonistas deste conjunto de processos que seria a Didática. A partir daí se começou a pensar a pratica pedagógica fundamentando-a na concepção de vida e sociedade do professor. Ele realiza atividades nas escola que fazem parte de seu cotidiano, seguindo várias diretrizes, pois essas práticas destinadas a sala de aula ainda hoje são orientadas por teorias pedagógicas que marcaram a história educacional no Brasil.
Segundo Saviani (2002) essas teorias pedagógicas se dividem em dois grupos: teorias não-críticas e teorias critico-reprodutivistas e apresenta idéias que se dividem em cinco enfoques: tradicional, escolanovismo, tecnicismo, critico-reprodutivista e histórico-crítica.
A educação escolar no Brasil iniciou-se com os jesuítas, por maio da Pedagogia Tradicional que não contribuía com a transformação da vida social e econômica do País, se mantendo até 1759 quando a companhia de Jesus foi expulsa. Essa expulsão passou o poder da educação para a burguesia mas não mudou o tipo de pedagogia utilizada.
Foi a partir da inspiração filosófica do humanismo moderno e com a criação da Associação Brasileira de Educação, em 1924, que começa a surgir a Pedagogia Nova, fazendo duras criticas à pedagogia Tradicional. Essa tendência ganhou forma no Brasil através do projeto da primeira lei de Diretrizes e Bases da Educação, quando escolanovistas e representantes católicos puderam definir os caminhos da educação Brasileira.
Saindo um pouco deste perfil histórico da educação no Brasil, podemos nos questionar sobre a verdadeira função do professor no processo de ensino-aprendizagem, mas quero voltar ao início de tudo, quando se está formando este profissional que irá trabalhar com todas essas ferramentas que a Didática proporciona para a “arte de ensinar”.
A vida acadêmica do aluno de licenciatura tem particularidades que só um curso de licenciatura pode oferecer, está formando professores. Mas que professores são esses? que tipo de alunos iremos “ensinar”? em que contexto escolar estaremos inseridos? É a partir desses questionamentos que irei lançar um olhar sobre o processo educacional de formação do professor e buscar inter-relações entre a Filosofia e a Didática para uma melhor forma de Educar refletindo sobre a dificuldade de se ensinar num tempo de globalização e tentar apontar alguns caminhos possíveis a seguir, no sentido de “compreender o fenômeno educacional em todas as suas dimensões” (RIOS 2001).
Buscando na etimologia das palavras “Filosofia” e “Didática”, encontramos, no significado, o ponto de união entre esses dois saberes. Filosofia quer dizer “amigo do Saber”, ou “aquele que ama o Saber”, já a Didática quer dizer “a arte de ensinar”, mas teoricamente podemos supor que a “arte de ensinar” está naquele que “ama o Saber”. A partir dessas considerações podemos supor que o “Professor” seja o que domina essa arte e que ele tenha uma relação amorosa com ela, mas o que vemos hoje em dia é uma busca incessante pelo dinheiro, fazendo com que esse professor tenha uma carga horária massacrante, impedindo-o de desenvolver uma relação afetiva com sua profissão.
São alguns alguns desafios ao professor de hoje, são eles:
• Repensar a didática do ensino, através da revisão de conteúdos, material didático e o uso a tecnologia.
• Perceber as diferenças e particularidades dos diversos saberes, para fazer um uso inteligente da interdisciplinaridade.
• A busca de um equilíbrio na formação dos alunos, levando em conta suas capacidades e estimulando neles uma visão “crítica e criadora”(RIOS 2001).
Vejo claramente a necessidade de se criar um diálogo entre a Didática e outros saberes da docência, ou seja a interdisciplinaridade, para propiciar um ensino de melhor qualidade, buscando na Filosofia, um olhar mais amplo, profundo e crítico sobre a educação, sociedade, enfim, sobre a própria vida.
Pode-se perceber os vários caminhos trilhados em busca de uma pratica pedagógica interessante e que possa obter resultados satisfatórios na relação professor-aluno, mostrando que só há ensino se houver aprendizagem e que isso não é responsabilidade somente do professor, mas também dos alunos e da escola como um todo. As atividades em sala de aula que privilegiam a coletividade e a participação do aluno, mantém a atenção e dinamizam o processo de assimilação do conhecimento.
A partir destas reflexões, percebo com mais clareza a grandiosidade do ensino e os desafios que se formam à minha frente no sentido de buscar o “fazer diferente”, aberto aos vários saberes e as novas perspectivas do ensino que permeiam o nosso tempo, atento as novas tecnologias como elementos importantes no auxílio do ensino nos dias de hoje.
Referências
RIOS, Terezinha Azerêdo. Compreender e ensinar: por uma docência de melhor qualidade. São Paulo: Cortez, 2001. P. 35-62.
GHIRALDELLI, Jr Paulo. Didática e teorias educacionais, Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
REIS, Maria da Conceição. Abordagens e Prática Pedagógica, 2006. Mimeo.
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